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Santa Catarina

Incentivo ao empreendedorismo

'A estimativa é de que 12 mil empregos sejam protegidos', diz Marcelo Dutra

Agência RCN
Entrevista
Foto: Ascom BRDE
'A estimativa é de que 12 mil empregos sejam protegidos', diz Marcelo Dutra

Durante a pandemia de Covid-19, o Banco Regional de Desenvolvimento Regional do Extremo Sul (BRDE) atuou de maneira emergencial para combater os efeitos do fechamento das atividades econômicas. O trabalho serviu para atender, em parte, a grande demanda por crédito em Santa Catarina.

Ao todo, o Banco destinou R$ 100 milhões em recursos, o que foi suficiente para atender cerca de 1,2 mil empreendedores. Em entrevista à Rede Catarinense de Notícias, o diretor financeiro, Marcelo Haendchen Dutra, falou sobre os critérios do Banco, o impacto dos recursos e sobre inadimplência.    

Rede Catarinense de Notícias - Como foi o trabalho do BRDE para ofertar crédito emergencial durante a pandemia?

Marcelo Haendchen Dutra - Desde o início da pandemia, o BRDE criou um programa de apoio aos empreendedores do Sul. O Recupera Sul protegeu e socorreu empresas, com redução de juros, simplificação de processos, flexibilização de garantias e pulverização do crédito. O Banco assegurou o repasse para as mais diferentes áreas, de forma a beneficiar o maior número possível de empreendedores. Outro diferencial é que os financiamentos de até R$ 80 mil foram disponibilizados sem garantia real. Dos R$ 100 milhões em crédito para Santa Catarina, R$ 88 milhões já foram repassados, o restante está em fase de liberação. A linha de crédito está garantindo capital de giro para 1.037 empresas, até o momento. A estimativa é de que 12 mil empregos sejam protegidos, em 127 municípios catarinenses.  

RCN - O Banco conseguiu atender a todos os pedidos?

Dutra - A busca por crédito foi intensa. Alcançamos diversos pontos do Estado, ajudando muita gente que procurou o Banco. Além da liberação de crédito, 1,2 mil empreendedores foram beneficiados com a postergação de parcelas. Foi uma espécie de "congelamento da dívida". As parcelas postergadas correspondem a mais de R$ 112 milhões.

RCN - Durante esse período, a inadimplência cresceu?

Dutra - Apesar do momento, as empresas têm mantido sua capacidade de pagamento em dia. O índice hoje é 0,58%. Um dos fatores responsáveis pelo balanço histórico foi uma atuação firme na análise dos projetos, no acompanhamento e na recuperação do crédito, sendo muito menor que a inadimplência média do sistema financeiro, e a mais baixa já registrada pelo BRDE em quase 60 anos de história.

RCN - Houve muita reclamação de falta de crédito durante a pandemia. Como o Banco pode atuar para otimizar a oferta de recursos?

Dutra - Uma das metas do BRDE é diversificar as fontes de recursos. Acredito que para apoiar o desenvolvimento da região Sul precisamos ter crédito disponível e capacidade de avaliar, com rapidez, os bons projetos que se apresentam. Estamos atuando neste sentido promovendo uma diversificação de fundings. Historicamente, o BNDES era responsável por 92% dos recursos dos nossos contratos. Temos reduzido esta dependência, que está hoje em 60%. Estamos conseguindo buscar recursos em outras fontes, inclusive internacionais.

RCN - O que esperar para 2021 de um modo geral?

Dutra - A retomada em 2021 depende da capacidade de controlar a crise na saúde, os riscos do desemprego e a capacidade de novos investimentos. As medidas e programas de incentivo seguirão fundamentais. Será preciso agir de forma estratégica, e o BRDE será fundamental no apoio à economia.



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