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Santa Catarina

Otimismo no setor varejista

'Varejo deve crescer 5% no Natal', diz presidente da FCDL/SC

Agência RCN
Foto: Divulgação / FCDL/SC

Os empresários estão otimistas com as vendas de Natal. De acordo com o presidente da Federação das Câmaras dos Dirigentes Lojistas de SC (FCDL/SC), Ivan Roberto Tauffer o varejo deve crescer até 5% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Tauffer explica que com o passar da pandemia, o setor foi se recuperando da crise. Na primeira data com as restrições, a Páscoa, a queda nas vendas chegou a 50%. Já em agosto, no Dia dos Pais, o varejo voltou a subir, movimento que continuou no Dia das Crianças.

Em entrevista à Rede Catarinense de Notícias, o presidente da FCDL/SC comentou sobre os desafios de 2020, a mudança nos hábitos dos consumidores, e as expectativas para o ano que vem com a chegada da vacina.



Rede Catarinense de Notícias - Como o senhor avalia o ano de 2020 para o varejo de Santa Catarina?

Ivan Roberto Tauffer - Nós tivemos um ano atípico. A pandemia deixou os setores do varejo com altos e baixos, diferenciando alguns expressivamente. Mas se a gente voltar lá na Páscoa, chegamos a registrar uma queda de mais de 50% nas vendas. Isso foi um baque muito grande. Logo em seguida tivemos Dia das Mães, outra data importante, quando o resultado foi de -13,6%. Então dentro da pandemia registramos esse números negativos. Mas esse desenho foi caindo, até que o Dia dos Pais nós já registramos uma pequena alta de 2,2%. É um número que animou o varejo e veio seguindo este cenário até que no Dia das Crianças obtivemos um resultado positivo de 2,4%. Este é o cenário que varejo viveu durante a pandemia e agora nossa expectativa do Natal é de um crescimento de até 5%. Começamos negativos e fomos ganhando fôlego. Para esse Natal, o que a gente observou é que o ticket médio está mais alto. Deve ser R$ 198 o presente ou a parcela do presente. Estamos bem otimistas. Santa Catarina é um Estado diferente dos outros, estamos com bons resultados de emprego, entre outros setores.


RCN - Quais setores tiveram bom desempenho e quais caíram durante a pandemia?

Tauffer - Vimos setores como eletrodomésticos, móveis, supermercados, materiais de construção, o agronegócio, que bombaram tanto que deixaram o resultado positivo para o varejo em geral no primeiro semestre. Ou seja, tem setor que cresceu mais de 20% durante a pandemia. É um Estado bom que se saiu bem que os outros da Federação. Mas também temos setores que estão em estado crítico, como os vinculados à hotelaria ou o turismo, bares, restaurantes. Alguns fecharam e não vão mais abrir as portas. Este setor é o mais prejudicado dentro da pandemia, até porque tem muita restrição nele ainda. A gente espera que isso melhore. Outro setor que ainda está em baixa é a papelaria, até por conta desta questão das aulas. E essa cadeia de produtos que gira em torno das aulas, como uniforme, material escolar. O setor de vestuário e calçados também ainda não se recuperou totalmente. Estamos na expectativa que o Natal impulsione essas vendas.


RCN - Como o varejo tem visto este avanço dos números da Covid em Santa Catarina?

Tauffer - Estamos bem preocupados. Precisamos reforçar o cuidado com os protocolos de segurança até que a vacina não chegue, para que todos se cuidem. Principalmente para quem está fazendo aglomeração. Isso vai acabar prejudicando a economia. Se a população não ajudar a controlar a pandemia, vai haver perda de empregos e a situação vai piorar. Então é importante que a população se cuide porque se não a gente agrava esse cenário ainda mais.


RCN - Como foi o comportamento do consumidor durante a pandemia?

Tauffer - O consumidor mudou de hábito. Comprando mais a vista e menos no crediário por exemplo. Então ele se retraiu, não quis fazer dívida para ter esse recurso se acontecesse algo maior. Com isso, a nossa inadimplência baixou. Como ele também não poderia sair, o consumidor partiu pro e-commerce, vendas online, então ele também aprendeu a comprar pela internet. E agora muitas coisas não vão voltar mais. Ele gostou disso e vai comprar nesse formato.


RCN - E como o varejo se adaptou às mudanças?

Tauffer - A Federação identificou essa mudança de hábito e nós criamos uma plataforma online para estender aos lojistas, principalmente ao pequeno, porque o grande lojista já tem. O QCompras é uma plataforma, um aplicativo, que a gente disponibiliza para todas as CDLs, onde o lojista pode vender. Vimos essa mudança e estamos acompanhando.


RCN - Esse processo de adaptação foi realizado com sucesso por todos os setores, ou alguns ainda tem mais dificuldades?

Tauffer - Ele é um processo que vem se consolidando. É um trabalho educativo que estamos fazendo perante o lojista. Ele não sabia trabalhar com as redes sociais. Nós precisamos primeiro ensinar a trabalhar com a plataforma. O pequeno lojista também nunca tinha trabalhado com isso, ele nunca tinha olhado para esse lado. E a pandemia obrigou ele a olhar e a plataforma foi sendo liberada aos poucos. Primeiro ela era uma vitrine para mostrar o produto. Agora que grande parte já sabe preparar sua vitrine, nós liberamos o meio de pagamento. E o pequeno lojista, público do QCompras, começou a ter essa força maior. A gente vê esse ganho com bons olhos e é uma solução que estamos colocando e logo logo vai tomar um corpo ainda maior.


RCN - O fim da validade das medidas do governo federal, como auxílio emergencial, por exemplo, preocupam para 2021?

Tauffer - Sim, existe uma preocupação. O governo federal está secando seu caixa. E realmente esse dinheiro que foi colocado à disposição da população foi a nossa vida até agora. Então existe esta preocupação. Nós já estamos conversando junto à bancada catarinense na Câmara e no Senado para que se estenda alguns programas de financiamento, como o Pronampe. Nós estamos trabalhando com os parlamentares para que a terceira fase do programa venha para auxiliar o microempresário. No primeiro semestre do ano que vem a gente vê um cenário igual a esse que estamos vivendo. O que a gente precisa para que melhore? Nós contamos com a vacina. A vacina vindo no primeiro semestre do ano que vem, a gente vê uma melhora no varejo mais acentuada. Para o ano que vem, talvez a gente tenha um pouquinho de aperto se o governo federal não encontrar outro mecanismo. Tem esse auxílio de R$ 300 que vai até fevereiro e lá em março começa nossa preocupação, para ver como vai ficar esse cenário. Nós não temos uma visão de março para frente, tudo depende do avanço da pandemia.


RCN - Os empresários estão pressionando as autoridades para que haja uma definição em breve nesta questão da vacina?

Tauffer - Sim, a Federação já vem conversando com algumas autoridades do Estado, com secretários de saúde para que eles comecem a se preocupar a acharem um jeito para trazer esta vacina. A FCDL/SC tem uma cadeira no gabinete de crise econômica do governo, onde temos reuniões semanais e a gente já está tratando sobre isso. O governo do Estado tem que se preocupar em solucionar esta questão, porque o setor produtivo depende dessa vacina. E pelo que a gente viu nessas tratativas de alguns dias atrás, já existe uma preocupação das autoridades.


RCN - Quais as expectativas do varejo para 2021?

Tauffer - Acreditamos que com o quadro da pandemia, com o aprendizado que tivemos até agora e o cenário de hoje, vamos ter um ano semelhante ao de 2020. Embora com alguns setores em queda, o quadro deve ser puxado pelos setores em alta, e a gente ter um saldo positivo. Nem que sejam números pequenos, mas a gente vê essa melhora. Sempre frisando: dentro da pandemia a gente conta que o contágio diminua e com a vacina. Se essa vacina vier, então eu posso afirmar que o setor produtivo de Santa Catarina se recupera muito fácil. É um Estado mobilizado, eclético e pujante na sua economia, e nós vamos se sair melhor que os outros. E se a gente se mantém nesse estágio que estamos hoje, eu vejo um pequeno crescimento de 2% a 3%.

 



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